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quarta-feira, 14 de junho de 2017

011 - E esta faz, curiosamente, 10 anos


Publicada há 10 anos, a minha tese de doutoramento mantém a preocupação, com outra profundidade, com o problema do conhecer e das condições do conhecer, a que dedica o primeiro capítulo  intitulado "Da necessidade de uma referenciação epistemológica", depois disponibilizado num formato autónomo e re-intitulado "Discurso científico em Arqueologia: a necessidade de o conhecimento se conhecer" (disponível aqui).

Mas a preocupação com a contextualização da produção de conhecimento começa (ou acaba) na contra-capa, com recurso ao impagável Calvin.

terça-feira, 13 de junho de 2017

010 - Faz 20 anos, mas não parece.


Faz 20 anos que foi publicada a minha tese de mestrado sobre o Castro de Santiago, em Figueiró da Granja, Fornos de Algodres.

O Capítulo 1 abria com as seguintes citações:

“(...) o meu assunto não existe porque os assuntos, em geral, não existem. Não há assuntos; não há ramos do saber (...) há somente problemas, e o impulso para os resolver. Uma ciência (...) é, defendo eu, apenas uma unidade administrativa”
(POPPER, 1992:39)


“No tempo em que eu era um adolescente romântico, acreditava que a minha vida como cientista seria justificada se conseguisse descobrir um único facto novo, juntando desse modo um tijolo ao luminoso templo do conhecimento humano. A aspiração era bastante nobre; a metáfora era pura e simplesmente idiota. E, no entanto, essa metáfora continua a orientar a atitude de muitos cientistas em relação ao seu objecto de estudos. (...)A ciência não é uma busca impiedosa de informação objectiva. É uma actividade criativa humana, em que os seus génios actuam mais como artistas do que como processadores de informações.”
(Stephen Jay Gould, O mundo depois de Darwin. Reflexões
 sobre história natural, Ed. Presença, 1988, p.175)


Duas décadas passaram e continua a fazer sentido fazer estas citações. Mais necessárias ainda, pois passaram mais duas décadas e o pensamento reflexivo sobre o que é conhecer continua a não merecer a atenção de muitos que se consideram investigadores, nomeadamente na minha área. O que é conhecer? Como conhecemos? São perguntas que continuam a não ser feitas (e respondidas) nos cursos de arqueologia (e provavelmente na maioria das outras ciências), que pretendem formar "profissionais e produtores de conhecimento".

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

001 - Olhar ao contrário


Ainda há dias comentava, no meio de uma viagem do Alentejo para Lisboa, sobre as vantagens que podem resultar do exercício de se olhar as coisas ao contrário. Um exercício simples. Inverter a ordem considerada normal dos factores. Toda uma nova realidade pode surgir. Absurda? Talvez. Mas também potencialmente libertadora, inspiradora e desafiante. Muitas descobertas não são mais do que o resultado de uma inversão de termos. Os termos que nos condicionam.